
27 ago Cervejas artesanais bizarras: vale tudo para viralizar?
Nos últimos anos, o marketing digital mostrou que a busca pela viralização pode ser tão desafiadora quanto tentadora. Para muitas marcas, o “boom” repentino de curtidas, compartilhamentos e comentários pode significar novos clientes, aumento da relevância e até uma mudança de patamar no mercado. Mas até que ponto vale apostar em estratégias ousadas ou até bizarras para conquistar a atenção do público?
No universo das cervejas artesanais, esse debate se torna ainda mais interessante. Afinal, trata-se de um setor criativo por natureza, em que a inovação é uma das principais forças competitivas. Mas, em meio a IPAs, stouts, sours e lagers reinventadas, surgem também lançamentos que parecem ter sido pensados mais para gerar manchetes do que para agradar ao paladar.
Estamos falando das cervejas artesanais bizarras: aquelas criadas com ingredientes excêntricos, sabores inesperados ou embalagens que beiram o absurdo. Mas será que essa é uma boa estratégia de marketing? Vamos explorar.
A lógica da viralização: por que tanta gente busca o “incomum”?
Na era das redes sociais, atenção é o recurso mais disputado. O consumidor é bombardeado por centenas de mensagens todos os dias, e as marcas precisam encontrar maneiras de se destacar nesse mar de conteúdos.
O incomum, o estranho e o inusitado têm uma vantagem natural nesse cenário: despertam a curiosidade. Quando uma cervejaria lança uma bebida com glitter comestível, sabor de pizza ou até mesmo envelhecida em barris de molho de soja, isso rapidamente gera conversas.
O raciocínio é simples:
- Se a cerveja chama atenção → gera comentários.
- Se gera comentários → aumenta os compartilhamentos.
- Se aumenta os compartilhamentos → a marca alcança públicos que talvez nunca chegasse por meios tradicionais.
Essa lógica funciona? Sim, em muitos casos funciona. Mas o impacto vai além da primeira onda de cliques e curtidas.
Casos curiosos pelo mundo
Para ilustrar, vale trazer alguns exemplos de cervejas artesanais que ganharam os holofotes justamente pelo fator “bizarrice”:
- Cerveja com pizza: algumas cervejarias já lançaram edições que misturam tomate, manjericão e queijo na receita. A ideia? Soar absurda o suficiente para despertar a curiosidade de jornalistas e influenciadores.
- Cerveja com glitter: pensada para ser instagramável, brilhou literalmente nas redes sociais e se tornou febre em determinados nichos.
- Cerveja com bacon, ostras ou até testículos de animal: sim, pode parecer extremo, mas essas receitas foram criadas e divulgadas, principalmente para chamar atenção da mídia especializada.
- Cerveja com notas de chiclete, algodão-doce ou milkshake: buscavam resgatar memórias afetivas de um jeito irreverente e divertido.
Esses exemplos mostram que existe, de fato, uma demanda por narrativas diferentes no mercado. Porém, também levantam a dúvida: será que toda marca deve seguir esse caminho?
O risco da bizarrice pela bizarrice
Criar algo excêntrico pode gerar repercussão imediata, mas o risco de não gerar valor a longo prazo também é alto. Alguns pontos de atenção:
- Desalinhamento com o público-alvo
Se o consumidor da sua cervejaria busca qualidade, tradição e consistência, lançar um rótulo “bizarro” pode afastá-lo. - Efeito efêmero
O buzz gerado por uma receita estranha dura pouco. Se não houver continuidade ou uma boa narrativa por trás, a lembrança da marca desaparece tão rápido quanto surgiu. - Perda de credibilidade
Quando tudo é feito apenas para chamar atenção, a marca corre o risco de ser vista como oportunista. No mercado de cervejas artesanais, onde autenticidade é tão valorizada, isso pode ser prejudicial. - Custo versus retorno
Investir em ingredientes diferentes, produção experimental e divulgação pode ser caro. Se a campanha não converter em vendas ou fortalecimento de marca, a conta não fecha.
O lado positivo: quando o inusitado vira estratégia
Por outro lado, não dá para negar: em muitos casos, lançar uma cerveja excêntrica pode ser um grande acerto estratégico. Quando feito com propósito, o inusitado pode se transformar em storytelling poderoso.
Imagine uma cervejaria que cria uma cerveja com pimenta e chocolate não apenas para chocar, mas para celebrar uma festa regional em parceria com produtores locais. Ou uma receita de cor azulada, desenvolvida com algas, que traz consigo uma narrativa sobre sustentabilidade marinha.
Nesses casos, o fator curioso continua atraindo a mídia e os consumidores, mas há algo a mais: um valor agregado que conecta a bizarrice com propósito, identidade e branding.
Marketing de experiência: mais do que sabor
Outro ponto importante é perceber que, no setor de cervejas artesanais, o produto não se resume apenas ao líquido na garrafa ou no copo. Ele é uma experiência completa.
- A história da receita conta muito.
- O design do rótulo pode ser tão impactante quanto o sabor.
- O momento de consumo (um evento, uma collab, uma edição limitada) gera memórias que fidelizam.
Se o “inusitado” fizer parte dessa experiência, o resultado pode ser memorável e, mais importante, sustentável no longo prazo.
O consumidor digital e a busca por novidade
Vale destacar que o consumidor digital atual tem um perfil muito diferente do de décadas atrás. Ele busca novidades, gosta de compartilhar descobertas e se orgulha de mostrar algo “que ninguém conhece ainda”.
Isso significa que, sim, existe espaço para cervejas artesanais bizarras — desde que elas façam sentido dentro da estratégia de comunicação da marca. O consumidor pode até experimentar pela curiosidade, mas só voltará se enxergar autenticidade e qualidade.
O equilíbrio entre ousadia e propósito
No fim das contas, a questão não é se vale ou não criar algo bizarro para chamar atenção. A verdadeira pergunta é: qual a intenção por trás da ação?
- Se for apenas para viralizar, o risco é grande.
- Se houver uma narrativa consistente, conexão com o público e qualidade no produto, a ousadia pode se transformar em diferencial competitivo.
Como aplicar isso no marketing digital
Do ponto de vista do marketing, há algumas boas práticas para quem deseja explorar esse caminho sem cair na armadilha da bizarrice sem propósito:
- Storytelling bem estruturado
Não basta criar uma receita excêntrica. É preciso contar a história dela de forma envolvente. - Conteúdo multiplataforma
Use o lançamento para gerar posts, vídeos, reels, lives, artigos de blog e até collabs com influenciadores. - Testar com edições limitadas
Um lote pequeno pode medir a aceitação do público sem comprometer a reputação da marca. - Relacionar com causas ou temas relevantes
Seja sustentabilidade, cultura local, datas comemorativas ou movimentos sociais, alinhar o inusitado a algo maior dá mais força à estratégia.
Vale tudo para viralizar?
No mercado de cervejas artesanais, criatividade sempre será um trunfo. Mas é importante lembrar que viralização, por si só, não garante sucesso a longo prazo. O que sustenta uma marca é a combinação de inovação, autenticidade, propósito e consistência.
Cervejas bizarras podem ser um ótimo gatilho para chamar atenção, mas só funcionam verdadeiramente quando conectam experiência, história e identidade da marca. Caso contrário, correm o risco de se perder no mar do efêmero digital.
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Porque no marketing, assim como na boa cerveja, o segredo está na receita certa.
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